A quem serve as estruturas verticais de poder?

*Por *Antonio Lopes Cordeiro (Toni)

Estruturas Verticais de Poder são formas de relacionamentos, aonde as decisões vêm sempre de cima para baixo, seguindo uma hierarquia de comando, constituída nem sempre de forma consensual e democrática, onde quem tem mais poder, seja pelo econômico, por mandato ou na hierarquia das direções acaba impondo as regras. Esse é um fenômeno recorrente em praticamente todas as instituições e organismos.

A meu ver duas coisas no universo político andam em descompasso com o modelo de estrutura de participação que defendemos, além de encará-las como um processo excludente em qualquer organismo ou estrutura de poder.

Uma delas versa sobre quem enxerga a base do partido e da sociedade como “massa”, por ser desrespeitoso, nivelar por baixo e seguir o mantra instituído pela direita de que a massa só serve para experiências de exploração e para servir ao poder. Algo essencial para a manutenção do poder vertical.

A outra é a estrutura vertical de poder construída no seio dos organismos, instituições, partidos e na maioria de qualquer coletivo, onde o andar de baixo na pirâmide hierárquica não participa das conversas com o andar de cima e muito menos das decisões principais. Só chega o que seus representantes, imbuídos muitas vezes por questões emocionais ou política-ideológica querem e podem passar. Isso interfere diretamente num processo de integração, retarda o crescimento de criticidade, além de não contribuir para o crescimento intelectual do grupo, que serão quando muito, tarefeiros e tarefeiras de uma ação de comando ou de uma atividade qualquer.

Ao participar de um organismo ou entidade, subtende-se que todos e todas que integram tenham interesse e/ou necessidade de discutir para onde, com quem e como se caminha, além das táticas de atuação em tempo. Quando a coisa chega pronta ou não chega, fica na esfera superior, a base desse organismo ou entidade também é tratada como “massa” e “massa” não pensa e nem age.

Não estou falando de uma regra do tipo de um centralismo democrático, que normalmente é algo construído de forma coletiva e que é acatado por todos e por todas a partir de acordos, pois sabem de suas tarefas e importância no grupo e sim de praticas que vivenciamos nos organismos e entidades, onde as decisões não são informadas ou socializadas e os encaminhamentos chegam a doses homeopáticas, o que a meu ver nada agrega e sim interferem no comportamento geral de seus e de suas participantes.

Estruturar um projeto participativo e popular a várias mãos, sem enxergar o popular apena como “massa”, a ser usada na hora do bolo, que tenha conteúdo suficiente para dar conta das diversas carências e necessidades da sociedade e também valorizando as pessoas, cada uma com seu potencial interior e de experiência de vida, além de valorizar as pessoas através de tarefas programadas, para que as mesmas não se sintam menores numa escala de valores existente nas estruturas de poder, quem sabe seja a maior tarefa de um ou uma representante do povo, que defende a construção da luta de forma coletiva, seja num cargo público, na direção partidária ou de uma instituição.

O que fazer diante dessa cultura vertical? Quais seriam as possíveis saídas?

Creio que mexer num processo cultural não é nada fácil, pois as estruturas de poder já estão montadas. Fazem da representatividade algo comum e natural. Porém, se defendemos a participação como eixo de uma causa coletiva e defendemos o crescimento das pessoas através da formação, faz-se necessário mexermos nas estruturas, socializarmos os processos, criarmos em grupos de trabalho e descermos às bases em busca de contribuições. Imagino ser esse o caminho de quem se apresenta como liderança.

Quem sabe um dia, cheguemos a um pensamento da década de 80: “Acima os de baixo e abaixo os de cima”!

Bem vindos e bem vindas ao mundo das discussões na essência e pela base.

*Antonio Lopes Cordeiro (Toni) é Estatístico e Pesquisador em Gestão Social

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