Mano e Lula: um papo que entrou para história

*Por Francis Ivanovich:

Cursei Jornalismo entre os anos de 1984 e 1988, os computadores e a internet ainda não faziam parte da realidade. A máquina de escrever era a minha ferramenta de trabalho, juntamente com a lauda – uma folha de papel com área delimitada para a gente escrever a matéria ou nossa opinião. A entrevista era feita com um bloco de anotações e uma caneta esferográfica, e de vez em quando com um gravador de fita cassete.

O jornalismo era exercido por jornalistas formados e, já naquela época, se debatia sobre a validade do diploma de jornalista. Um dos argumentos contra o diploma – que sou totalmente a favor, vale aqui registrar – é que para fazer um bom texto, uma boa entrevista não é necessário o curso. Hoje o diploma é desnecessário, e as redes sociais estão cheias de “jornalistas”, daí o desastre que assistimos, ouvimos e lemos todos os dias.

Ao mesmo tempo, há uma produção maravilhosa. Minoria, sem dúvida. O program do Mano é uma delas. Reflito sobre isso, após ouvir o histórico podcast Mano a Mano, numa entrevista com Lula, realizada por Mano, um dos temas que mais se destacaram no Twitter da última semana.

Nessa madrugada, numa das minhas insônias, resolvi ouvir o programa e como valeu a pena. Afirmo que é uma entrevista que historiadores, pesquisadores, lá no futuro, vão ouvir com atenção para escrever e analisar o Lula e o Brasil do seu tempo.

Raramente ouvi perguntas tão sinceras, honestas, naturais e repostas do mesmo nível. Mano e Lula conversando sobre o Brasil, juventude, religião, política, a vida é uma aula. Em detreminado momento, Mano pergunta quanto Lula ganha. O ex-presidente responde com toda a naturalidade e ainda revela seus bens, alguns deles ainda bloqueados pela Justiça.

Uma aula de jornalismo que duvido ser reproduzida num dos cursos de universidades públicas ou privadas deste país. Acredito quem nem mesmo esses âncoras-estrelas de telejornalismo seriam capazes.

Ao final da entrevista, me perguntei com espanto, enquanto escovava os dentes olhando-me ao espelho: – Como é que alguém, em sã consciência, pode comparar ou considerar Bolsonaro melhor do que Lula?

Não tenho mais nenhuma dúvida sobre o Lula. Ele é um dos homens mais autênticos da história política brasileira, desde à instauração da República. Lula carrega em si a essência do povo brasileiro. Compreende o povo porque possui em sua alma o DNA genuíno das camadas populares.

Só posso terminar este modesto texto agradecendo ao Mano Brown. Mano, você me ensinou muito sobre como fazer uma entrevista. Vou tentar. Valeu!

*Francis Ivanovich é jornalista e cineasta e é integrtante do GT de Comunicação da RS.

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