A vida vale a pena ser vivida

Por Francis Ivanovich:

O poeta João Cabral de Mello Neto – autor de “Morte e Vida Severina” – disse certa vez que a “vida não se resolve com palavras”. A frase do grande poeta ecoa em minha cabeça, ao ver os resultados da pesquisa da Fundação Getúlio Vargas – FGV que revela a tragédia que estamos vivendo. Cerca de 27,7 milhões de pessoas na pobreza extrema.

Essa pesquisa se apresenta através de frios dados estatísticos, no entanto, por traz da aparente frieza, um quadro de imensa tristeza e emoção se desvenda. Traduzindo os números, significa dormir com fome, acordar com fome, e viver o dia na incerteza da sobrevivência, das contas a pagar, o que produz desesperança, medo, e afeta a saúde mental das pessoas de uma maneira muito séria. Para se ter ideia do que falo, fiquei estarrecido com o resultado de outra pesquisa, que tem a ver com o panorama geral da dura crise que afeta o país.

Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019, divulgada há poucos dias pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com relação à saúde mental dos estudantes brasileiros, metade (50,6%) disse se sentir muito preocupado com as coisas comuns do dia a dia. E que um em cada cinco estudantes (21,4%) afirmou que a vida não valia a pena ser vivida. Entre as meninas, esse percentual chega a 29,6% e, entre os meninos, 13%.

Quando nossa juventude afirma que não vale a pena viver, é porque está acontecendo algo muito grave em nosso país. Além da fome, desemprego, descaso com a pandemia, mentiras, nosso povo está sendo afetado em sua saúde mental, produzindo mais insegurança, medo, paralisia.

Não mais se trata de fazer oposição ideológica. Tornou-se uma questão humanitária dar um basta a este governo do poder. O Brasil tornou-se um exemplo evidente do que ocorre quando elegemos pessoas erradas, sem a mínima capacidade, para cargos importantes. Não há como tapar a realidade, o Brasil está desgovernado.

As palavras não resolvem a vida, nos lembra o poeta, e este governo é craque em produzir palavras vazias, e as piores possíveis. No seu vocabulário impera o baixo calão da insensibilidade social, o urro raivoso, o berro autoritário, o tom de ameaça. Os 57 milhões de votos que este governo recebeu nas urnas eletrônicas, sem fraude, não mais o legitimam, pelo contrário, tornou-se um escrutínio do engano, engodo, farsa.

Para este governo só existe o seu próprio umbigo, o espelho de Narciso, sua alma carece de humanismo, solidariedade, verdade, trabalho. Quando essa gente acorda do bom sono, senta-se à mesa para seu pequeno almoço, como dizem os portugueses, não pensa no povo, povo este jamais esteve em seu cardápio de igualdade, mas no seu projeto de poder que visa entregar o Brasil para os que manipulam o capital, as cotações da bolsa e do dólar. Eles só pensam em enriquecer às custas do povo.

Não há possibilidade de governar um país sem compromisso social. É o mesmo que eleger um papa que não crê em Deus. E este governo, que tanto fala em Deus e família, parece é ter mais compromisso com o diabo. As palavras não resolvem a vida, no entanto, elas podem nos indicar um caminho, pelo menos. E as palavras que devemos ter na ponta na língua, sempre, são justiça social e democracia. O contrário disto, é silêncio, é perecer.

E para terminar, clamo aos estudantes, a vida vale a pena ser vivida! O Brasil precisa de vocês! Contem com a gente. “Tamo junto!

*Francis Ivanovich é jornalista e cineasta.

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