Paulo Freire: o homem que amou o Brasil e o Mundo

*Por Francis Ivanovich:

Nestes dias de culto ao ódio, nada mais apropriado que reverenciar Paulo Freire que declarou pouco antes de sua morte em 1997, que gostaria de ser lembrado por ter sido um homem que amou profundamente as pessoas, os bichos, o mundo. Somente os grandes homens de alma sabem amar.

No seu centenário, não poderia deixar em branco meu respeito por esse revolucionário que dedicou sua vida ao combate à opressão nas suas mais variadas formas. Paulo Freire esteve sempre à frente do seu tempo, tanto que hoje, quando o século 21 se apresenta com desafios gigantescos para a humanidade, seu pensamento se revela uma tábua salvadora e libertadora.

Paulo Freire é uma esperança viva por um Brasil mais justo e por um mundo mais humano. Corremos sérios riscos, enquanto espécie, não se trata mais de ficção científica num filme de Hollywood, é real, a pandemia foi apenas um aperitivo amargo, e do jeito que a coisa vai, estamos com os dias contados.

Paulo Freire nos ensina que somente de maneira coletiva, colaborativa, poderemos sair do buraco que cavamos. Um buraco que é resultado de uma prática abusiva de exploração do semelhante e do planeta. Até então temos nos comportado como predadores. E enquanto seres políticos, porque a natureza humana também é política, precisamos ir ao encontro de uma nova postura frente ao mundo, uma postura ética e verdadeiramente democrática.

A política não pode compactuar com a mentira, a injustiça e a fraude. Urge um novo fazer político e o pensamento freiriano é uma excelente bússola para este caminho. Daí a importância fundamental da educação política de nosso povo, o que evitará erros terríveis como o que vivemos hoje, quando a pior política ocupa o poder e rasga, queima a obra de Paulo Freire, sem nenhum pudor.

Nestes dias de reverência ao vazio, ao consumismo, ao gosto fácil pela mentira, reverenciar o pensamento crítico de Paulo Freire é oxigenar a própria vida e respirar a liberdade. Seu pensamento pulsa e está ao nosso alcance. Ao futuro presidente deste país, massacrado desde o golpe contra a presidenta Dilma, só tenho um pedido: faça a revolução pela educação.

A pedagogia do oprimido pode libertar o nosso povo das amarras que o impede de realmente conquistar uma vida com direitos e justiça social. Não há outro caminho a seguir, somente educação – palavra tantas vezes repetida nas bocarras de oportunistas – pode nos conduzir ao tão sonhado futuro. O Brasil de hoje, mergulhado numa das mais severas crises da sua história, grita por liberdade e igualdade.

Neste dia, quando Paulo Freire completaria 100 anos, mais do que lembrar seu pensamento, admirar o seu amor por nossa gente e o nosso país, devemos tê-lo como um exemplo de vida a ser seguido, um compromisso ético com a vida, uma coragem a ser investida. Viva Paulo Freire! Eterno.

*Francis Ivanovich é jornalista, cineasta, produtor cultural e editor deste Blog. (foto acervo Instituto Paulo Freire)

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