O vírus e as redes. Quem nos separa mais?

*Antonio Lopes Cordeiro (Toni).

O conteúdo do filme “O Dilema das Redes” (NETFLIX) é algo inquietante e preocupante, pois revela com exatidão como as empresas nos usam e nos manipulam, além de deixar no ar que o comportamento das pessoas em rede está se tornando uma grande doença social, de separatismo, exclusão e de intervenção na vida familiar. As pessoas passam dia e noite, submissas ao mundo virtual onde não há limites e nem fim. Será que isso basta?

Segundo o filme o sintoma é grave e se apresenta de forma clara, principalmente na hora de dormir e das refeições. Quem ainda não presenciou a cena de uma família inteira em silêncio em rede dedilhando o Facebook, Instagran, Whatsapp e tantas outras redes? Juntos, mas tão distantes…

Que fenômeno ou comportamento é esse que estamos vivendo? O que esperar dos novos tempos? O que sobrará além das relações virtuais? Como conviver com essa doença social? O que será o novo normal que nos espera?

Estamos diante de vários dilemas e guetos a nos separar, onde o mais temível é o vírus que ainda segue ativo. Números do último dia 7 mostram que o Brasil chegou a 21.532.558 de pessoas infectadas e o número de mortes oficias a 599.810. Isso sem contar as pessoas que morrem em casa infectadas e não diagnosticas ou em decorrência do vírus. Estamos falando em 2,8% de mortes das pessoas infectadas. Algo irrisório para o sistema e um descarte necessário do capitalismo contra os “gastos” sociais futuros. O genocida que o diga…

Porém, como tudo na vida, as pessoas, além daquelas que são submetidas diariamente ao vírus para a manutenção de seus trabalhos, já se acostumaram a conviver e também já aboliram as máscaras nas festas e nas ruas, usando-as apenas nos protocolos oficiais. Com isso e com a queda nos números de mortes pela vacinação, as festas de finais de ano e o carnaval estão garantidas para atenderem ao deus mercado e para a movimentação da economia.

Voltando ao mundo virtual e analisando a sociedade de consumo e de grife que vivemos, somos divididos e classificados pelo que temos e possuímos ou não e agora as redes sociais também nos classifica por idade ou pela nossa intelectualidade. O Facebook como uma comunidade de pessoas mais velhas. O Instagram um ambiente para jovens e o Twitter para uma galera mais intelectual. Temos até vergonha de dizer às redes que frequentamos, pois nos veem como bregas, desatualizados ou viramos piadas. Que loucura…!!!

Há estudos que afirmam que há um sentimento narcisista no comportamento das redes, principalmente pelas pessoas se sentirem amadas, desejadas ou com seus egos inflados, ao receberem dezenas de figurinhas amorosas em resposta as suas mensagens e ao responderem na mesma proporção. Ou seja. O prazer a um clique da imaginação como nunca se havia pensado antes.

Escrevo me incluindo também no contexto, como um alerta contra o vício, como uma forma de protesto quando o problema é comigo e como uma forma de buscar administrar o tempo para que eu não me sinta um viciado virtual. É um assunto complexo que já ocupa muita terapia nos consultórios da vida.

O que seremos ou poderemos ser diante desse universo virtual? Imagino que o que sobrar desse mundo Big Bhother, o que as relações de afeto conseguir construir de forma real e o que os corações derem conta por amor à vida e principalmente por amor a quem caminha conosco vida afora. Quem viver verá!

Que sejamos autêntic@s nas nossas escolhas, mas com a preocupação de não fazermos nos momentos essenciais, alguém que nos ama disputar nosso tempo, atenção e carinho com as redes sociais, onde o prazer é apenas nosso.  

*Antonio Lopes Cordeiro (Toni) é Estatístico e Pesquisador em Gestão Social.

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