A Juventude do PT e a luta pelo socialismo

*Por Nicholas Manhães:

O Partido dos Trabalhadores, a partir de sua fundação, em 10 de fevereiro de 1980, se tornou a principal experiência de esquerda no Brasil, ainda assolado pelas amarras assassinas da burocracia sanguinária do regime militar. Surge como tal a partir da amalgamação de intelectuais, católicos progressistas, socialistas revolucionários e reformistas, em torno da nova classe trabalhadora que surge em nosso país impulsionada pelas famosas greves do ABC, lideradas por ninguém menos que Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao atrair os mais diversos setores da classe operária, sejam os trabalhadores urbanos, sejam os trabalhadores rurais, fato é que o conjunto da classe trabalhadora legou ao PT a tarefa histórica de superar os mais diversos tipos de opressão, e de construir uma sociedade mais justa e igualitária, uma sociedade socialista.

Em todo esse processo, o movimento estudantil, seja aquele organizado pela União Nacional dos Estudantes, seja os representados por entidades estudantis menores, foi de importância central para a resistência às forças conservadoras e para o impulsionamento de um partido que viesse a representar toda a classe trabalhadora e suas frações, partido este que veio a ser o PT.

Com o passar das décadas, o que se notou, no entanto, foi um arrefecimento de sua radicalidade intrínseca, que levou ao aumento das alianças com setores da burguesia, e a uma postura cada vez menos voltada à superação do capitalismo. Paradoxalmente, nunca deixou de reafirmar o socialismo como seu foco e destino último. Diversas podem ser as explicações para tal movimento, seja a compreensão de que o objetivo de ser bem sucedido eleitoralmente carecia de uma estratégia mais moderada, seja o entendimento de que a hegemonia neoliberal dos anos 90 tenha desalentado a postura mais combativa da classe trabalhadora, e, em sua consequência, o seu maior instrumento de luta, o PT.

Fato é que diversos setores do Partido dos Trabalhadores e de suas entidades parceiras, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), submergiram tão rapidamente nesta nova estratégia programática, que culminou até em um documento de promessa às elites de que o Governo Lula se adaptaria às condições impostas pelo neoliberalismo. Durante pelo menos 10 anos, essa estratégia pareceu acertada e possibilitou avanços gigantescos na vida dos trabalhadores, estudantes, negros e negras, e chegou até a eleger a primeira presidenta mulher no Brasil, um país assentado no machismo estrutural.

No entanto, após a investida criminosa das elites, e de seus partidos políticos, como o PSDB e o MDB, e da nojenta instauração de um processo fraudulento de impeachment, que culminou no Golpe de 2016, pode-se compreender que tal estratégia se esgotou, e comprovou que mesmo o mais moderado dos projetos para as camadas populares não será aceito pela burguesia e seus asseclas.

Hoje, com um fascista no poder, mais de 600 mil vidas perdidas fruto de seu negacionismo e autoritarismo, a população brasileira volta a se esperançar a partir da figura de seu maior líder político, nosso presidente Lula, e de seu mais significativo instrumento de luta por justiça social, o Partido dos Trabalhadores. Com ampla vantagem nas pesquisas eleitorais, e com a possibilidade concreta de mobilizar as massas trabalhadoras contra os estragos do Governo Bolsonaro, se dá uma oportunidade histórica. Chegar ao governo com um programa amplo de reformas estruturais, que, apesar de não ter maioria parlamentar para aprovação, tem no povo e na sua mobilização, a arma certeira para a aplicação de um projeto combativo e que afirme o socialismo e a verdadeira democracia como seu destino.

É nesse sentido que a Juventude Petista, em vias de concluir a etapa nacional de seu 5°Congresso, o CONJPT, se mostra como uma das maiores e mais potentes armas do PT para a mobilização nacional, para a vitória eleitoral em 2022, e principalmente, para a defesa do terceiro Governo Lula e do programa amplo voltado para políticas públicas e sociais e para a realização de reformas estruturais.

Desde sua concepção reafirmando-se enquanto uma juventude “socialista, democrática e de massas” a Juventude do PT (JPT) resgata o espírito fundador do partido e o reorienta para uma nova estratégia, voltada para a acumulação de forças em busca de hegemonia política e de reformulação, a partir de consultas a população, das instituições do Estado Nacional.

A Juventude do PT reafirma seu caráter anti-imperialista, antineoliberal e antifascista, declara que tem muitos sonhos, mas uma mesma luta, e que não só pode, como irá, virar a mesa do poder, eleger Lula Presidente e contribuir para que o Partido dos Trabalhadores construa um programa hegemônico e estrutural. Nossa estrela voltará a brilhar, e um novo Brasil será construído, pelas mãos e para as mãos da classe trabalhadora!

*Nicholas Manhães, Secretário da Juventude do PT de Campos dos Goytacazes (foto).

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