Um ano que desponta em meio ao caos…

Por Antonio Lopes Cordeiro (Toni):

Vejo o ano que se inicia como uma longa e complexa equação a ser resolvida, onde os interesses eleitorais estarão na pauta nacional e nas pautas estaduais, comandadas ora pelo financeiro e ora pelas emoções à flor da pele que levam o povo a votar pela emoção e não por um programa ou projeto.

Cada um e uma de nós, que estamos no front das lutas diárias e temos conteúdo, somos capazes de fazer uma análise sobre o cenário político e que expectativa mínima temos para o ano que se inicia, além de desejarmos Lula Presidente novamente, porém não a qualquer custo, pois já sabemos o que ocorreu com a Presidenta Dilma em seu segundo mandato. O golpe foi construído no interior do planalto.

A política eleitoral é um jogo de interesses, quase sempre pessoais ou de grupos, que passam longe da base da sociedade, principalmente das pessoas que mais precisam, além das combinações, acordos, negociatas e conchavos, confundirem a cabeça de quem vota e isso mostra o número de abstenções, brancos e nulos. Além disso, nosso ideário ideológico aponta sempre à esquerda com candidaturas coletivas, participativas e populares, pautadas por um conselho participativo e deliberativo de mandato.

No seio das disputas, fecharemos o ano com algumas inquietações e dúvidas, entre elas a consolidação da tal Frente Ampla como um instrumento criado para agradar gregos e troianos e um afago à direita. Uma mistura complicada que indica mais problemas à frente como já vimos nesse filme antes.

Além disso, vem ai a federação partidária chamada pelo PSB, que agregará o PT e outros partidos incertos. Algo que a meu ver é uma junção de interesses para salvar alguns partidos e com foco eleitoral apoiado na visão de que o PT terá um bom resultado e isso, além de salvar alguns beneficiará todos.

Não dá para endeusar como se fosse uma Frente de Esquerda, que não é tampouco ir fazendo a defesa apaixonada, sem esmiunçar o que isso significa na real. Necessita de um amplo debate interno para que sejamos convencidos ou tenhamos a convicção de que o caminho seria à esquerda, tanto para as alianças partidárias, como com os setores organizados e movimentos.

Vale tudo no processo eleitoral? Como nos diferenciar? Qual o custo político? Quem pagará essa conta? O que sobraremos? O que dizer de uma aliança com Alckmin, um neoliberal convicto e agressor de professores. Algo que nós de São Paulo ficamos com azia só em pensar. Será esse o caminho? É o que nos resta? Ou é o conjunto do partido quem vai decidir?

Negamos o socialismo por mais de 20 anos. Fizemos alianças das mais inusitadas e chamamos de “companheiros” quem nos traiu e nos golpeou. O que falta para aprendermos? Caso valha tudo era até preferível um empresário ou empresaria como vice, pelo menos não teríamos que convencer vários setores que o que era um demônio ontem, passou a “santo” dos milagres para a eleição. Algo bem difícil de explicar…

O PT é um partido confiável, para quase um terço de quem vota e não precisa de determinadas alianças que o exponha, tampouco levar o companheiro Lula a se juntar com velhas raposas para chegar a uma vitória. Existem outros caminhos, outras pessoas e outros valores em jogo.

Qualquer tipo de aliança na linha programática indica que o que é combinado não é caro. O próprio Lula deu o tom. É o PT quem vai discutir a questão do vice e se assim for entraremos o ano em debates, lembrando que só teremos até o dia 31 de março.

Quando as crises políticas invadem meu seu, recorro a Paulo Freire, vejo e revejo sua fantástica palestra, que indico: “O simbólico e diabólico na política”. É uma viagem para nos alertar das armadilhas do sistema, dos cantos da sereia e dos caminhos a seguir.

Antonio Lopes Cordeiro (Toni) é Estatístico e Pesquisador em Gestão Social.

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