Os portuários do Rio nos 42 anos do PT

Por Fernando Campos:

Em plena efervescência dos anos 70, no século passado, sacudido pela campanha da Anistia Ampla Geral e Irrestrita, pelo movimento grevista dos metalúrgicos do ABC paulista e pelo fim do bi partidarismo, lei número 6.767 de 20/12/1979, surge a proposta de se criar um partido político que contrarie as normas tradicionais ora vigentes na história política brasileira.

Uma agremiação partidária, sem dono/dona, criado de baixo para cima, um/uma filiado/filiada, um voto, das trabalhadoras e trabalhadores para os trabalhadores e trabalhadoras. Essa concepção revolucionária abala, entusiasma e sacode a classe política e a sociedade como um todo.

A classe trabalhadora empolgada, abraça essa idéia e se mobiliza para fundar esse novo partido.
Uma parcela da categoria portuária do Rio de Janeiro adere, se filia e provoca o debate para legalizar o Partido dos Trabalhadores-PT, no seio da categoria.

Destacam-se nessa empreitada os companheiros Adelson Peçanha Novaes, Antonio Queiroz, Fernando Campos, Luiz Sérgio da Mota Machado, Waldir Rocha e Wilson Baltar Arsênio, que lideram a campanha de filiação entre os trabalhadores(as) e a estende para população.

Mesmo envolvidos com a campanha da Anistia e com a organização sindical da categoria portuária, levamos a contento a missão que nos delegamos, de participar/contribuir para a fundação do Partido dos Trabalhadores-PT em 10 de feveiro de 1980, há exatos 42 anos. Dessa Organização surgiu o Núcleo dos Portuários-RJ que se reunia em sua sede no bairro da Saúde.

A fundação desse núcleo serve de vitrine para a criação de Núcleos PTistas pelos portos brasileiros. Esses núcleos são o embrião do movimento denominado “Acorda Portuário” com atuação nos congressos, nas greves, e nas assembleias e nas discussões dos acordos colerivos de trabalho.

Traumatizada com a perseguição, prisão e demissão de suas lideranças pelo golpe militar de 1964, os mais de 5000 portuários se envolvem no projeto de fundação do Partido Trabalhadores. Ter participado dessas mais de quatro décadas da história desse nosso PT é algo que só quem viveu pode verbalizar, desde de sua fundação aos dias atuais, pavimentada com muito suor, risos, lágrimas e sangue.

Momentos gloriosos pontuam nossa existência, em nossa biografia constam quatro mandatos (contínuos), presidênciais, o último interrompido por um golpe parlamentar. Subvertemos o status quo reinante na história política brasileira ao colocarmos um trabalhador metalúrgico nordestino e uma mulher na presidência da república, contrariando a lógica que a presidência é herança perpétua da elite branca, patriarcal, representante da oligarquia brasileira

Nesses 42 anos, o Partido dos Trabalhadores, mesmo contrariando interesses enraizados no país, mostrou para o conjunto da sociedade brasileira que é possível governar atendendo tanto a classe média como os desvalidos, colocados na invisibilidade e na marginalidade social.

Nos quatro mandatos presidenciais, o modo PTista de governar mostrou a que veio e que deu certo.

Fernando Campos é um dos fundadores do Núcleo dos Portuários do PT no Rio de Janeiro.

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