Artigo de Ricardo Lodi: a pequena revolução da Uerj   

*Por Ricardo Lodi:

Entre 2017 e 2018, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) quase deixou de existir, com a paralisação de todos os seus serviços em função da ausência de repasse de recursos por parte do governo estadual.  Hoje, a situação é diferente, apesar das dificuldades econômicas enfrentadas em virtude da crise sanitária causada pela Covid-19.  E foi exatamente durante o combate à pandemia que a Uerj começou a dar a volta por cima, se tornando uma referência nacional na assistência aos pacientes, inclusive no tratamento pós-covid, na testagem e na vacinação da população. Foram mais de 90.000 pessoas vacinadas até agora.

A passagem do ensino presencial para o remoto, exigido durante o período pandêmico, foi acompanhado do mais completo programa de inclusão digital e de assistência estudantil do país. Foram distribuídos aos estudantes em vulnerabilidade social tablets e pacotes de dados, além, de auxílios para alimentação, transporte, creche, material didático, moradia, uniforme e promovido o fornecimento de absorventes higiênicos.


Em parceria com o Governo do Estado, a Uerj passou a desenvolver vários projetos de interesse da sociedade fluminense. Hoje várias secretarias e órgãos estaduais  mantêm os seus mais importantes projetos em parceria com a Universidade, que se tornou a principal agência de políticas públicas do Rio de Janeiro.

Cumprindo sua missão de estar presente no território fluminense, a Uerj retomou o seu processo de expansão e interiorização, com o Hospital Universitário Reitor Hesio Cordeiro, em Cabo Frio, como uma inovadora experiência de transformação de hospitais privados em unidades universitárias integralmente destinadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), importante alternativa ao descalabro das organizações sociais na área de saúde no estado.  Em breve serão inaugurados novos cursos de graduação  no município. 

A esse projeto, soma-se a incorporação da Uezo, Centro Universitário da Zona Oeste, em Campo Grande, que se transformou no  novo campus da Uerj nessa importante região da cidade, e a criação da Unidade Vaz Lobo, no coração do subúrbio do Rio, onde serão desenvolvidos novos cursos de graduação e especialização, além de atividades culturais extensionistas a partir das próprias experiências daquela comunidade.

Toda essa pequena revolução, em tão pouco tempo e, em um momento tão difícil quanto o da pandemia, só foi possível a partir da articulação com os agentes públicos estaduais, da inversão de prioridades orçamentárias e da busca dos recursos  devidos constitucionalmente, de acordo com o índice da educação, e que não vinham sendo repassados à instituição. 

Essas ações fazem da Uerj principal projeto de inclusão social do estado do Rio, que precisam se estender para as demais universidades públicas do país, por meio do investimento público e da autonomia universitária, de forma a garantir o desenvolvimento em pesquisa, ciência e tecnologia tão necessários para o desenvolvimento do país. A revolução que o Brasil precisa deve ser feita por meio da educação. 

  *Ricardo Lodi é ex-reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), professor de Direito Financeiro da Faculdade de Direito da Uerj, presidente da Sociedade Brasileira de Direito Tributário, sócio fundador da Ricardo Lodi Advogados, mestre em Direito Tributário e doutor em Direito e Economia.

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